Wednesday, August 31, 2005
 
| dança |
tu, eu, as palavras e as noites. e para lá das noites todas, o desejo, a vontade cada vez maior e mais difícil de evitar, impossível de esconder, a vontade toda de mergulhar na tua pele, de descobrir devagarinho qual é esse teu sabor. é uma dança que nos leva e que me deixa cada vez mais ansioso pelo dia em que descubra realmente o teu calor e em que deixemos de ser só estas palavras para nos transformarmos em corpos enroscados num lençol.

N

 
| momento |
e em tantas palavras que escondemos dizemos do desejo e da urgência. de te ter entre as pernas, de me teres dentro do peito. e somos assim, imperfeitos e etéreos. e ambos sabemos que não precisamos de mais nada. apenas um do outro nas noites em que deixamos a imaginação voar...

L

Sunday, August 28, 2005
 
| sim |
sim, agora, esta noite e todas as que hão-de vir. e as manhãs seguintes. acordas-me e beijas-me e ainda meios a dormir fazemos amor num acordar perfeito.

N

Thursday, August 25, 2005
 
| foda-se |
e se me levasses ao céu e viesses comigo e fizessemos amor a noite toda, esta e todas as noites que estão por vir?

L

 
| ondas |
abrandas para evitar o orgasmo, que é cada vez mais difícil de travar. deixo-me levar nos teus balanços irresistíveis, controlas o ritmo desta dança e os corpos navegam cada vez mais loucos. estás sentada sobre mim, eu dentro de ti, cada vez mais fundo, tenho as mãos espetadas nas tuas nádegas. o corpos navegam nas ondas, o prazer sobe pelo corpo cada vez mais depressa.

N

 
| predador |
e as mãos que me agarram quase com violência. os beijos que me sugam como que a roubarem-me a alma. os braços que me apertam para não me deixar fugir. as pernas que me enlaçam num novelo de calor. e tu a entrares por mim acima com a força que só o desejo permite. sem floreados, sem simpatias. tu a tocares-me fundo. eu a vir-me.

L

 
| azul |
e as mãos, e as palavras, a pele morena, a música ao fundo e nós a dançarmos sobre ela, a música somos nós, as curvas desse corpo são as notas onde me perco, por onde sigo, onde me encontro, onde te encontro, onde te perco, a respiração trocada, a saliva trocada, a línguas trocadas, o corpo todo que não é meu é nosso, és minha, somos nós, perdidos de tudo e presentes na magia pura desse instante dourado e caminhamos perdidos na nuvem líquida de um grito abafado.

N

Monday, August 22, 2005
 
| supernova |
e tu a entrares em mim. e eu a gemer baixinho e a trincar-te o lóbulo da orelha, a conter-me para não te magoar. e tu a respirares com força, a aqueceres-me o pescoço com o ar quente que te traduz o desejo. e eu a puxar-te para mim, mais fundo, mais... e nós dois numa dança sincronizada, dois corpos que se amam, dois corpos que se usam. e um dia isto tudo há-de chamar-se amor.

L

Friday, August 19, 2005
 
| estrelas |
deixámos para trás o passado que nos inibia e refugiados do mundo neste sofá guias-me pelas estradas secretas do mapa do teu corpo. entro em ti, saboreando essa imensa ternura húmida. não chegas sequer a tirar o bikini, um pequeno desvio chega para te sentir inteira num prazer louco.

N

 
| desejo |
agarro na tua mão e guio-te. e tu ardes porque sentes o meu calor molhado, resultado de tanto tempo de enganos e simpatias a disfarçar desejos. o limbo era tão ténue, não era, nuno? o limbo era apenas uma folha de papel frágil. agora somos reais. e tu entras em mim assim.

L

 
| calor |
estamos aqui em suor, a saborear este momento sempre adiado e somos desejo puro. deslizo do sabor quente da tua boca, mergulho nas curvas do teu peito e num instante ficas sem o top do bikini, que os bikinis são muito mais fáceis de desapertar do que os soutiens. e entre nós fica só esse pedacinho de tecido de bikini às flores, essa última fronteira que me separa de toda a tua humidade quente.

N

 
| o suor |
sem palavras. as tuas mãos pelas minhas pernas, as minhas unhas pelas tuas costas. o calor dos nossos corpos numa urgência que calámos anos a fio. nos anos em que fomos amigos e falámos de jazz e de festivais e de cinema e de coisas sem importância nenhuma. agora estamos aqui. e as tuas mãos em mim, as nossas bocas juntas e o suor é um líquido que escorre e que nos antecipa. e eu quero-te. dentro de mim.

L

 
| música |
o espaço é demasiado pequeno para nós, para as tuas mãos que me embrulham, para as minhas mãos que te descobrem. caímos no sofá e a roupa desaparece, as bocas saboreiam a pele, as bocas dão voltas pelo pescoço, pelo peito, pela pele morena toda, e reencontramo-nos nos lábios, os lábios demoram-se e dançamos de boca colada ao ritmo do reggae que passa no leitor de cd e quando abro os olhos já tens só o bikini e danças levemente sentada em cima de mim.

N

 
| o verbo |
falemos de sexo. deixemos de lado o amor e todas as coisas bonitas que nos unem e que continuam como névoas, esfumadas e inconcretizadas. hoje apetece-me falar-te de sexo. e dizer-te que entramos em tua casa. o espaço exíguo e acolhedor de luz ténue abraça-nos. e eu abraço-te a ti. e beijo-te. mil beijos, mil volúpias. e uma vontade urgente, que nos assola em sentidos inversos: o que em mim desce, em ti sobe. dispo-te devagar e tu a mim.

L

 
| noite |
e ficamos estendidos sobre os lençóis da cama com os braços e as pernas trocadas e sopramos palavras bonitas baixinhas e adormecemos colados. e quando acordamos com os raios de sol da janela aberta (sempre gostaste de sexo com a janela aberta), quando o sol quente da manhã nos acorda, não me dizes nada e eu não te digo nada porque ambos sabemos que vai ser assim bom para sempre e acho que é a esta coisa nossa que as pessoas lá fora chamam amor.

N

Friday, August 12, 2005
 
| e depois do amor que se faz |
fica-me sempre o mesmo travo na boca. a mesma angústia das ausências que se seguem. a mesma dor vazia de te ver partir e saber que regressas sempre mas nunca ficas. queria que ficásses. que olhasses para mim e visses uma mulher que te ama. muito mais do que te fode.

L

Wednesday, August 10, 2005
 
| aroma |
esta vontade urgente de dentadinhas prolongadas é já maior do que nós. sempre tiveste esse talento de encontrar as palavras perfeitas no momento certo e naquela noite, entre dois copos de vinho, descobriste as palavras certas para classificar esta coisa invisível que nos cola - é tudo uma questão de aromas e sabores. e sem sabermos muito bem como chegamos a esta nossa amizade saborosa.

N

 
| urgente |
é sempre esta urgência que se enterra nas palavras. sempre a urgência do toque, dos beijos, das respirações ofegantes. e isto nem sequer tem a ver com sexo. tem a ver com este amor insolúvel que nos prende, nos amarra e não nos deixa seguir viagem. foi por isso que te liguei. e soube, assim que me tocaste, que este é o local. tu és a urgência que me absorve.

L

 
| tinha saudades, sabias? |
não sei nem nunca hei-de saber porque te lembraste de me reencontrar naquela noite insólita de verão. tremi quando ouvi a tua voz, a voz que me relembrou o perfume, porque para mim tu eras um perfume, um perfume que adocicou os dias até àquela fuga secreta. tremi por me lembrar que eras um desejo infinito e tremi ao ouvir essa voz e perceber que continuas a ser. não resiti e fui. continuas um perfume doce, agora mais morena e com os olhos mais profundos, doce. as mãos aproximam-se do corpo mais depressa que as palavras, as mãos trepam pelas pernas, as mãos sentem a ternura no calor das pernas, os lábios reencontrados, o peito desabotoado, as mãos irrequietas, os copos vazios em cima da mesa.

N

 
| regresso |
ficou-me sempre este travo de coisa inacabada na boca. e no corpo. este silêncio longo, esta espera.

e lembrar-me de quando entravas em mim e me mentias e o teu sorriso era uma faca que se me enterrava nas costas devagar.

hoje regresso. agarro no telemóvel e marco o teu número que ainda sei de cor, embora o tenha apagado da agenda. 917númerosqueseseguem. dois toques. tu atendes. percebo que também me apagaste da tua agenda, não me reconheces imediatamente.

hoje apeteces-me, como antigamente. e tu sorris. e não respondes. e eu sei que daí a meia hora vais estar à minha porta, ombro encostado à ombreira da porta, perna esquerda cruzada à frente da direita, cabeça ligeiramente inclinada. e entrarás. nesta casa e em mim. como antigamente.

L


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