Thursday, May 27, 2004
 
não estou para venda, nem sequer para exposição

não quero nada contigo. nem contigo, nem com ninguém. ainda não percebeste? julguei que sim. na minha língua, não significa não. não significa sim nem talvez. significa não. já te disse por que aqui venho. e vou continuar a fazê-lo, independentemente das tuas investidas. não sou uma peça de carne que aprecies numa montra e leves para casa, se te agradar. não estou à venda. não estou desesperada. estou apenas sozinha e isso não significa nada. não quero sexo avulso. não quero um amor descartável. quero que me deixes em paz. pode ser?

[L]

Monday, May 24, 2004
 
consumo mínimo

tu hoje serás o meu consumo mínimo. não pago entrada, de tantas vezes que aqui venho já todos me conhecem e oferecem copos. mas hoje bebo-te. voltas ao mesmo sítio, encostada, quieta, fria por fora, quente por dentro (assim imagino, pelo menos). volto a dizer-te olá e espero que hoje sejas mais receptiva - sei que no sábado passado só não quiseste parecer fácil. não és fácil, já sei. mas podes ser minha. deixa-me provar-te e ficar inebriado pelo álcool quente que te sai da pele.

[N]

 
os corpos em exposição neste estabelecimento são para consumo da casa

gosto de observar as movimentações nas discotecas. eles abriram-se delas, sorriem, elogiam-lhes os cabelos louros e os rabos rijos. elas riem-se que nem perdidas, balançam os corpos para comprovar os rabos rijos e outras aptidões. eles oferecem-lhes um copo, elas aceitam. dançam a balanças as ancas, de preferência a roçar ao de leve nos corpos deles. depois juntam-se mais. eles beijam-lhes os pescoços. elas riem e fingem-se arrepiadas. dançam juntos, abraçam-se e beijam-se na boca. depois saem dali, deixam um dos carros à porta e seguem para casa de um deles. não sabem sequer o nome um do outro. mas dormem juntos. na manhã seguinte o que deixou o carro à porta da discoteca sai de casa do outro, desce as escadas, apanha um taxi e regressa ao seu carro, ainda envolto no cheiro do perfume que ficou para trás. ainda inebriado pelo sal trazido pelo sexo. regressa a casa onde dorme até tarde. e não sabe sequer o nome da pessoa com quem se deitou.

[L]

Saturday, May 22, 2004
 
algo me diz que és tu, a noite torna a cair

são seis da manhã e vou deitar-me numa cama simpática, ao lado de uma miúda quase igual à da semana passada, só mudam os brincos, de resto é igual. é sempre tão fácil e elas tão frescas. um jogo engraçado. mas tudo igual. no entanto, hoje fiquei a pensar naquela do whisky-cola, encostada ao poste. não aceitou o copo, nem a conversa. manteve-se atenta a noite toda, mas nunca disse sim a ninguém. outro dia volto a tentar. a noite volta sempre a cair, há sempre gente pronta para entrar no jogo. e ela entrará?

[N]

Friday, May 21, 2004
 
silogismos de fim de tarde

este fernando é uma peça. giraço, simpático, engatatão. não me apetece dançar, desculpe. nem me apetece beber copos. apetece-me que me deixe sossegada, no meu canto, como eu estava. fujo de vestidinhos curtos e sspatos de salto agulha para ver se não reparam em mim, mas há sempre um desgraçado que me estraga os planos. hoje foi este. o homem até é interessante, mas não me interessam engates de discoteca. venho aqui para ver pessoas, não venho para me meter com elas. prefiro beber o meu whisky cola sozinha, encostada ao poste, sem que me notem, a andar a aceitar caipirinhas sei lá de quem. sou assim. gosto pouco de misturas. a única que tolero é a do whisky com cola.

[L]

Thursday, May 20, 2004
 
posso oferecer-lhe um copo?

olá. não nos conhecemos de algum lado? o seu rosto parece-me familiar... não é amiga da joana? ah, peço desculpa, é mais bonita que ela, fiz confusão. já agora, chamo-me fernando, como se chama? muito prazer. posso oferecer-lhe um copo? o que bebe? deixe lá o balcão e abane-se ao som deste ritmo! sim, encoste-se um pouco mais, dancemos. a noite é longa.

[N]

 
estas sandálias põem-me sexy e tu adoras

essa sonsa é uma desculpa e tu sabes. essa sonsa é um subterfúgio. é o artigo disponível no momento. porque sabes que, de mim, nunca hás-de ter isso. o problema é que tu queres exactamente o que te dou. tu sabes. custou-te sempre que não te ligasse a não ser quando queria ir para a cama contigo. custou-te sempre que agisse sem um laivo de amor por ti. custou-te sempre que te tratasse como se tratam os homens. querias mais. queres mais. e isso, sabes bem, não te dou. por isso, hás-de acordar com essa sonsa ao lado até que te fartes, até que queiras apenas um momento e ela te fale de eternidades. aí, lembrar-te-ás de mim. e eu estarei longe. noutra cama qualquer.

[L]

 
lambe-me um pouco mais se não for atrasado para o trabalho

é tão bom ter uma sonsa que acorde ao nosso lado e nos beije o corpo até ficarmos semi-despertos, nos continue a beijar e a lingua arrasta-se pelos sitios que já conheceste e mandaste embora, ela já atirou ao chão os lençóis da cama, entre nós só o tecido doce das cuecas nos separam e eu acordo e quando acordo já estou nela. tu nunca me deixaste acordar ao teu lado, nem adormecer sequer. querias-me disponível quando outro qualquer te negasse e eu estive sempre lá. ainda não esqueci as tuas curvas tensas que me excitam só de pensar e sei bem que quando te lambia a pele tremia com o choque demorado do prazer. mas a sonsa faz-me o que tu fazes, aprende outras coisas e é mais doce. e tu nunca quiseste saber, pois não?

[N]

Wednesday, May 19, 2004
 
sempre quero ver se ela te fode como eu

duvido. desculpa lá, mas duvido mesmo. que saiba onde te beijar para que tremas. que saiba como te agarrar. que saiba o que te dizer no momento exacto. que saiba que não gostas de dar duas de seguida. que saiba que adoras que te olhem, que vejam a exuberância das tuas performances. duvido que essa vera consiga fazer de ti alguma coisa. vera? foste arranjar uma gaja com nome de sonsa. o amor fica-te tão bem. mas não é isso que quero de ti. tu sabes. sê feliz.

[L]

Tuesday, May 18, 2004
 
conheci na semana passada o amor da minha vida e por aqui já não chove

não me voltes a ligar. não estou mais disponível para os teus jantares requintados seguidos de prazer descartável. queria mais, queria-te toda, mas isso nunca deste. a vera sim. diz-me que somos amor e eu acredito, beija-me a boca demoradamente, somos felizes. por favor não me ligues. a vera ligou-me agora e vai trazer o vestido curto. o elevador às duas da manhã não deve ter clientes e já sinto o cheiro do prazer proibido, só de a imaginar presa a mim, logo, a viajarmos húmidos entre os andares. a vera e os cabelos longos, a vera e o vestido curto, a vera e o sol. já a sinto a chegar, a pele sentiu-a. vou desligar o telemóvel.

[N]

Saturday, May 15, 2004
 
esta porra deste calor mata-me e faz-me fazer coisas

bolas. bolas. bolas. estou a arder. este calor faz-me fazer coisas que não faria com outra temperatura. ligar-te, por exemplo. dá trabalho mandar mensagens. apetece-me ligar-te. apetece-me a tua voz no meu ouvido. é isso. a tua voz no meu ouvido. ligo-te. olá. apetece-me ouvir-te. não me apeteceu mandar mensagem. quero ver-te. vens?

claro que vens. vens sempre. e eu vou contigo. esta forma desprendida de estar contigo é a minha forma de te dizer que tenho medo. de me apaixonar. de te querer. de abdicar das minhas teorias a favor do teu amor. mas é quase uma inevitabilidade. quero ouvir a tua voz no meu ouvido. e sentir o teu corpo no meu.

[L]


Thursday, May 13, 2004
 
lá longe o calor marca-te a pele que sonho um dia rever

o calor que sentes aí queima-me mais a mim. podes dizer quanto tempo falta? tu sabes, tu decides, tu marcas o tempo do prazer e és tu que me arranhas a pele para matar solidão. quando voltares, depois de arrumar o bikini e as toalhas de praia na gaveta de baixo e ligar o botão da música que atravessa a sala, liga-me. não, isso não, nunca me ligaste, não ia ser agora. manda a mensagem a combinar o café, o do costume, num dia aleatório perdido na cidade, como de costume. mas agora estás tão distante... no fundo sempre estiveste assim.

[N]

Tuesday, May 11, 2004
 
o vão sabor do sal

porra. não te queria ter ligado. não te queria ter despido. não queria ter ido para a cama contigo. não quero coisas para enviar por correio. devia era ter estado quieta. afinal, nunca tive problemas em estar com um homem. não precisava de ser contigo. havia opção. porque é que foi? o que é que aconteceu? porque é que ainda me lembro do teu nome? porque é que ainda me lembro de como é quando entras em mim?

[L]

Friday, May 07, 2004
 
o teu sabor permanece na minha boca

raramente abro a caixa do correio. quando lá vou - de mês a mês - apanho as contas e guardo-as quase sem olhar. dessa vez tinha um aviso para levantar qualquer coisa, uma encomenda, à estação dos correios. abri a caixa: uns boxers. os boxers. eram os teus. queimei-os. como se fosse possível recuperar uma coisa que era tua por mérito próprio... julguei que provavelmente os irias juntar à tua colecção de conquistas, mas vejo que nem isso valho. mas sei que nessa noite amaste por minutos (quanto tempo durou?)

[um mês depois]

a caixa de correio dá-me a conta da electricidade - estes chulos andam a fazer estimativas demasiado altas, tenho de lhes mandar a leitura, já que eles não vem cá ver o contador. escusavas ter ligado a convidar para o café. estavas só, percebi pela tua voz. não precisavas ter levado aquele vestido preto, aquele corpo que eu não consegui evitar, mais uma vez. deixei-me ir. eu estava ainda mais só que tu. quando o teu joelho tocou o meu, primeiro leve, depois longamente, já sabias que tudo acabava na solitária caixa de correio. tudo outra vez. a tua língua nunca me soube tão bem como à sombra dessa lua vaga de novembro.

[N]

 
não é tarde, mas é como se fosse

não penses. eu não penso. deixei de pensar - em ti e nos outros - há muito tempo. não me interessa. agora és só mesmo uma mensagem que me passou pelo telemóvel. bip. tzzz. tzzz. e é bom que percebas que não te vou responder. não me apetece. estou a milhas disso, não quero saber. eu não estou sozinha. eu sou sozinha, o que é diferente. e os boxers? que boxers? ah, estes. sim, devolvo. não me fazem falta. já deram o que tinham a dar. mando-tos por correio, pode ser?

[L]

Thursday, May 06, 2004
 
já morri três vezes hoje

só de pensar em ti, só de pensar em ti, só de pensar em ti. não é possível ter vida se tu não estás. fui apanhado, não sei porquê, á humidade que senti era a mesma de tantas outras, mas não te esqueço, a sms escrita fica indecisa, vai, não vai, nao vai, vai. foi só uma vez, mas desta não páro por aqui. e tu nada, nada, nada. nao me mates tão amargamente. um dia devolve-me os boxers, tá bem?

[N]

Wednesday, May 05, 2004
 
caribean tastes fine

ele já não consegue pensar. perdeu a noção do espaço e do tempo. só sabe que está dentro dela, ela é o universo que o acolhe, que o suga, que o quer. ela olha-o com um olhar-lobo sem emoção. o cabelo transpirado dela a agarrar-se, em mechas, à cara e ao pescoço e ele a olha-la e a pensar que não poderia ser maior o prazer. ela acelera, vibra, urge. ele sucumbe, ela não pára. agarra-lhe os pulsos para que ele não a toque, para que não a distraia. ele tenta libertar-se, precisa de a sentir inteira e ela não quer. ela fecha os olhos, reclina a cabeça para trás, morde o lábio inferior com força, no rasgo do prazer que sente. respira fundo. sai de cima dele, tira-o de dentro de si. senta-se na cama, começa a vestir-se, ele imóvel, de respiração entrecortada, a suar. ela levanta-se a puxar o fecho do vestido preto, vai pelo corredor até aos sapatos, calça-se, pega na mala e sai dali.

[L]


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