Saturday, June 19, 2004
 
(o grande drama é que tu não) sabes que sempre te amei

tu não sabes nada. não sabes quanto amor há num olhar. não sabes que o modo como me seduzes com a forma como arrumas os dedos tem mais poder que o conjunto de lingerie que compraste numa loja do centro comercial em promoção. não sabes que uma vida se perde e ganha num sorriso, que uma mão a tocar-te nas costas vale pela eternidade, que a tua negação é para mim tudo o que não existe, não pode existir, não me digas que existe. é que se a tua negação é verdadeira mesmo, se não passa de um sonho mau, então também será verdade que eu acabo de me atirar da janela do oitavo andar do prédio velho onde moro, que o tempo que me resta são os milésimos de segundo a passar até me estatelar no chão, esborrachado como um tomate muito maduro. tu eras tudo para mim. acabou.

[N]

Friday, June 11, 2004
 
não é por ser ele. é mesmo porque não quero
e agradeço que párem de insistir. já disse vezes sem conta que não quero ir para a cama com ele. nem com ele nem com ninguém. não sou mulher para andar às trancadas só porque me apetece. sou da velha guarda. sexo, para mim, implica amor. sei que não é isto que se vê nas discotecas. sei que não é assim que se vive em 2004. mas é assim que eu vivo: em 2004, como se fosse em 1950. quero um homem que me ame. não quero um homem que me foda.

[L]

Wednesday, June 02, 2004
 
diz que sim

ouvi dizer lá no salão que ele não é boa coisa. já andou aí metido com mais de metade das mulheres da bobadela mas agora só anda pelas discotecas. a vanessa ainda no outro dia me disse: káti, eu não me fiava num homem daqueles! eu não me fio. mas não me importava nada que se confiasse a mim, que eu tratava-o bem. mas tu, amiga, que andas sozinha e triste, porque não lhe dizes um olá? estas meias de rede já me estão a prender a circulação, não as devia ter arranjado tão apertadas, mas os homens quarentões e carecas que me olham derretem-se nas pernas e é assim, ao ver que para eles sou desejo, que eu à noite arranjo alegria, para encher os dias inteiros passados a lavar cabeças de velhas de cabelo estragado. tu és minha amiga e sabes que os homens não valem nada. não lhe dês importância - vai para a cama com ele e esquece lá isso. aquele careca ali ao canto está a olhar para mim.

[N]

Tuesday, June 01, 2004
 
fechado para balanço
não há negociação nenhuma entre nós. haveria, se ambos quisessemos alguma coisa. eu não quero. não estou aberta a negociações. nem vou fazer-te favores, apenas para que não sintas que estás a faezr figuras tristes, em plena discoteca, a sorrir desalmadamente para uma mulher que te vira as costas. já to pedi. agradeço que me deixes em paz. estou assim por opção e sou muito convicta nas opções que tomo. e mais uma vez te digo: na minha língua não significa não.

[L]

 
tu és diferente, eu sei

uma negociação é sempre dificil. os argumentos esbatem-se nas vontades. os copos amolecem os espíritos. os corpos fogem dos espíritos ao som forte das colunas. mas tu ficas. especada. és tu. agora sei. sei para sempre que és essa coisa única, bela e intocável, presa ao mundo pela força dessa graça própria. mas, para a próxima, sempre que eu te sorrir, responde-me. salva-me a noite. por favor.

[N]


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