
Friday, October 29, 2004
pois a humidade é tanta
para a proxima deixo que a língua te percorra inteira, a pele eriçada de prazer, a língua a descer do pescoço, a rodopiar nos mamilos, a rondar o umbigo, a descer até às cuecas pretas, a língua por cima do tecido a sentir-te toda, a humedecer-te, para depois desviar o tecido e seres toda minha, uma auto-estrada de sabor e arrepios e prazer. mas isso é para outra vez, por agora continua a deslizar em cima de mim, contorce-te assim mais um bocadinho e estás tão bem que eu já não sei se me aguento muito mais...
[ N ]
Wednesday, October 27, 2004
e não tarda chove cá dentro
isso, gustavo, fode a beatriz até à alma. fode-a como se fodesses a tua vida num segundo. eu fico com o que sobrar. a parte boa, basicamente. nem preciso de te enganar com os orgasmos. foda-se, és bom a fazer isto. para a próxima testo-te a língua. vou-me vir outra vez...
[ L ]
lá fora chove muito
dentro deste automóvel francês somos só dois corpos suados que dançam, acordados em pleno dia. ela segue a sua cavalgada, indiferente aos seus sussurros. ela abandona-se ao prazer, o corpo húmido a devorá-lo. enquanto arfa, ele diz-lhe: mais rápido, beatriz!
[ N ]
Monday, October 25, 2004
ou lá que música era
vem-te, diz ele. isso é que era bom, pensa ela. contém-se. vem-se. contém-se. vem-se. e ele ali, prestes a explodir, a arder de calor, a querer esta mulher que é dele sempre assim. e ela a milhas de distância, num terreno só dele, do qual ele só conhece a chave.
[ L ]
Friday, October 22, 2004
no auto-rádio james brown canta "sex machine"
e tu és tão boa. cala-te - diz ela - sim, faz isso com os dedos. continuam, sempre a acelerar. ele abranda o ritmo. ela grita: não pares agora!
[ N ]
Thursday, October 21, 2004
ciclone
como te chamas, pergunta-lhe. o que é que isso interessa agora? estamos aqui os dois, não estamos? sou só a mulher que está aqui contigo. não compliques. és linda. e tu fodes muito bem.
[ L ]
Wednesday, October 20, 2004
vulcão
ele é engolido por ela, entra no vulcão das suas pernas. enquanto está a ser freneticamente devorado, vai provando alternadamente os mamilos suculentos à sua frente. ela oscila sobre ele, controla o ritmo e o tempo. primeiro depressa, depois demorada. e vai sussurando ofegantemente prazer, que o excita cada vez mais.
[ N ]
hot hot hot
desiste da ideia de tirar as cuecas. movimentos contorcionistas não são o seu forte e, de qualquer forma, seria uma perda de tempo. desvia-as ligeiramente. são tão pequenas que não vão atrapalhar. puxa-o para dentro de si. devagar. chega o pescoço para trás e ele, ansioso, puxa-a para ele. tenta entrar nela, mas ela afasta-se. quando ele menos espera está, inteiro, dentro dela. e solta um grito, que abafa no cabelo dela.
[ L ]
Tuesday, October 19, 2004
wet wet wet
ela já se desembaraçou dos botões dos boxers e tem-no ao seu dispor. ele, de dedos cravados nas nádegas dela, deixa a língua descer pelo pescoço para estacionar por cima do soutien. ela aproxima perigosamente as cuecas já húmidas do sexo dele, ansioso, e dança. pára para tirar as cuecas pretas, ele tira-lhe sem dificuldade o soutien.
[ N ]
abre-me como à porta do carro
ela pára o carro assim que encontra uma entrada de garagem. sobe para cima dele, a saia já na cintura, amarrotada. ele a agarrá-la com força, a respiração a escassear. a língua dela na boca dele é um químico dissolvente que ele bebe, sôfrego. as mãos dele nas nádegas dela, as dela na braguilha dele. agarra-lhe o sexo como se fosse a última vez. ele treme, morde-a com mais força. ela sente-se aquecer.
[ L ]
são três euros, faz favor
ele levanta-se apressado, paga, segue-a porta fora. já não chove. ele leva-o ao seu carro. entra - diz ela, faz como se estivesses na tua cama. ele sorri. ela liga o auto-rádio: marvin gaye canta "let's get it on". ele agarra a mão dela, beija-a, segue-lhe o braço, até ao pescoço. a mão dele rasteja pela perna dela, sente o tecido da roupa fina, desvia um pouco, sente a carne e crava os lábios na boca dela.
[ N ]
uma gota de suor pelas costas abaixo
ela fecha a revista. sabe que ele a come com os olhos. levanta-se da mesa dela, senta-se à frente dele. roça-lhe a perna pelo interior da perna dele. olha-o nos olhos, a boca entreaberta. "quero. despacha-te." e ele olha-a preso em tudo aquilo, um volume que ele não esperava a delinear-se no meio das pernas dele. sente-se suar. sorri, nervoso.
[ L ]
e os lábios molhados
ele está suspenso no olhar dela. ele não se consegue mexer. continua desfeito àquele olhar de gata selvagem. continua siderado pela flourescência do olhar. e de olhos agarrados à sua pele suculenta, gata entretanto entretida num desfolhar vago de revista mal identificada (modas de inverno, vinte e três maneiras de atingir o orgasmo, cuidados a ter com o azeite). ele acabou o café mas não sai da mesa.
[ N ]
Monday, October 18, 2004
e as mãos a tremer
e treme. não consegue escapar ao olhar dela. não consegue disfarçar. ela fala com ele e ele sabe-o. diz-lhe, num simples olhar, que o fodia já ali. mas a classe dela afasta a urgência e eles são só duas pessoas sozinhas num café, ela com um chá à frente, ele no embalo de um cappuccino. depois do olhar dela não lhe resta muito senão sorrir.
[ L ]
Sunday, October 17, 2004
um olhar aguçado
ele manteve-se quieto. ela, já arrumada, acendeu um cigarro. deixou-se prolongar nesse fumo, enquanto o bule fumegava do chá de frutos do bosque. ele continua a observá-la, quase sem conseguir disfarçar. ela já reparou nele, mas deixa-o suspenso por largos minutos. de repente, num instante, lança um olhar curto mas aguçado na direcção da mesa dele.
[ N ]
Wednesday, October 13, 2004
e depois
pousa a mala na primeira cadeira livre que tem pela frente. sacode algumas gotas do top, que, mesmo assim, ficou manchado. porcaria de tops de lycra, que ficam logo assim. ajeita o cabelo, que está um turbilhão de vento e chuva. é alta, não demasiado magra, elegante. senta-se, inquieta. depois pára. tira uma revista da mala. ele olha-a sempre, como que hipnotizado. ela não repara. lê.
[ L ]
Tuesday, October 12, 2004
olá
lá fora chove, com a leveza de um outono indeciso em avançar para os terrores do frio. lá dentro, ele pede uma bebida quente, um café, e gasta alguns minutos a espalhar os olhos pelas letras avulsas do diário. ela entra a correr, a fugir do horror das gotas indiscretas - para além de encharcar o top laranja, o cabelo fica despenteado. os olhos dele prendem-se na visão sexy do top molhado daquela rapariga de saia curta e franja bem demarcada. ele olha para o relógio. já está atrasado, mas não resiste e fica mais um pouco. ela ainda não olhou para ele.
[ N ]
Sunday, October 03, 2004
hoje a cama é o nosso domínio
continuo sem perceber porque é que insistes nesta coisa do vibrador. acho que as algemas nos chegavam bem, mas tu é que mandas. hoje é o teu reinado. eu sou só a língua que te percorre a carne, as mãos que te absorvem o ser, as unhas que te rasgam a pele. depois não me digas que tens sono. esta noite és minha.
[ L ]
agora que andas descalça não te cortes nos vidros partidos no chão
há coisas que não se explicam, como este momento em que me despes as calças para me teres só tua, dourada (como as cuecas, a condizer com o soutien, claro). enquanto desenhas com a lingua os contornos do prazer nas curvas minha pele deixa-me gritar e os vizinhos não existem, porra, a noite é só para nós, para nós e para a música que abafa os gemidos e agora, querida, não pares.
[N]
e acabamos por partir os copos contra a parede
esta noite, puta que pariu a conformidade. quero que o tempo se foda, que se fodam os vizinhos que nos ouvirem gemer. sim, podes ser minha. aliás, deves. o que é que ainda estás a fazer vestida? já percebi que estás com aquele soutien dourado. há ciosas que não se explicam mesmo, não é?
[ L ]
encho o copo para um brinde
o copo fica cheio e vazio e cheio e vazio outra vez. sinto-me a bailar e não quero que a dança termine tão cedo, a noite começa agora. e do modo que vou aspirando o esparguete à procura de pedacinhos de bacon perdidos no prato, antecipo na imaginação o prazer de desviar a blusa cor de rosa na procura da tua carne. posso ser tua?
[N]
e é quando não quero fugir
já deixei o horóscopo. não vou viver de possibilidades. e não me importa a salada. seja a carbonara, se te agrada mais. e, agora que falas nisso, lembro de te dizer algo que nunca te disse. às vezes lamento que as nossas vidas não se tenham cruzado de outra forma. que os nossos mundos estejam separados por este limbo factual. já me apeteceu que fossemos mesmo uma da outra. por hoje, pode ser mais um martini, que o meu já desapareceu.
[ L ]
Saturday, October 02, 2004
acontece-me o mesmo quando aproximas a respiração ao meu pescoço
deixa o horóscopo de lado. deixa o tempo de lado e dá-me só um bocado do teu colchão e da tua vida. não sei se é do calor dos martinis, mas sinto-me a dançar. oh, afinal já não me apetece uma salada... é que fiquei com uma vontade de experimentar spaghetti a la carbonara. a vida às vezes tem destes apetites e não os podemos afugentar. ou podemos?
[N]
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