
Thursday, August 12, 2004
queres ir à praia?
desculpa ser assim. que enclausure o nosso prazer do lado de dentro das fachadas do mundo, que não consiga libertar gestos de carinho ao ar livre, que não faça escorrer saliva pelo teu pescoço num banco de jardim... aquela vez na areia da praia foi uma excepção, uma loucura, a ternura dos nossos corpos foi livre e solta dessa vez. mas quando te vejo, sempre tão crua e tão quente, tento resistir ao chamamento do teu corpo e adiar o momento até casa. e no chão da sala voltamos a ser tudo.
[ N ]
embora adore ver-te suar
o que mais odeio é que sejas a primeira a proibir o nosso amor. que o encerres entre quatro paredes e o feches à chave. a ganhar mofo. quero que respire. quero poder dizer que te amo com a voz, com o olhar, com o corpo todo, mesmo quando não estamos sozinhas. mas tu amordaças. engasgas. e eu sofro. porque o amor é um pássaro solto sem rumo. e é assim que devíamos ser.
[ L ]
despe essa roupa excessiva que está calor
o silêncio é o manto que nos abriga da noite e esconde o nosso amor proibido do mundo. quando me deixo cair no teu peito é aí que quero ficar. mas logo depois desço para rodopiar pelo teu umbigo doce e seguir as ondas salgadas do teu prazer, o meu prazer perde-se contigo e só a noite ouve o nosso silêncio.
[ N ]
quando nos amamos em silêncio
há alturas em que me dominas. em que toda eu sou chão para que me percorras e me desbraves. noutras sou aquele mar salgado a que sabes quando te beijo depois do amor. e depois nós somos mesmo o amor que fazemos em silêncio. os gritos que silenciamos no peito uma da outra. as palavras que mordemos para que não nos engulam. o amanhecer na tua boca sabe sempre a mel.
[ L ]
ao ouvido
detesto as manhãs, odeio acordar e não aguento o zumbido feio do despertador. não consigo deixar de resmungar antes de passar pelo duche, mas ao ver-te deitada a meu lado, bela e frágil a viajar nos terrenos do sonho, não resisto e deixo-me cair em ti, fico um pouco mais perdida nos lençóis e levo os lábios até ti. sorrio quando abres o teu sorriso a acordar e abraço-te até saber que o dia nasceu, o dia nasce contigo.
[ N ]
coisas por dizer
adoro quando me acordas com um beijo suave perto da orelha. adoro quando me dizes, ainda eu meia a dormir, que me amas com as letras todas. adoro quando fazes amor comigo como se fosse a última vez. as tuas mãos na minha pele e eu sem saber por que veia fugir. a tua língua dentro de mim e eu longe. o que temos é um hiato sagrado que pintamos a 4 mãos. não há nada mais belo do que tu, meu amor. nenhum outro corpo me seduz como o teu. em nenhuma boca me sinto em casa como na tua. e tremo só de pensar que somos uma da outra. porque sim.
[ L ]
Wednesday, August 11, 2004
deitados no céu
estavas amarela, como uma gema, é assim que melhor recordo essa primeira vez que quiseste morder a banalidade salgada da minha vida. foste revolução e nunca mais voltei ao que era. como a água do mar, eras salgada mas pura e transparente. e a partir desse dia andei sempre com isqueiro.
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