
Wednesday, September 29, 2004
há um arrepio que me atravessa e quase sufoco
no horóscopo dizia que ia ter problemas com carneiros, não podias ter outro signo, não? eu sei que tu és assim, que somos assim. nem devia dizer-te nada, qualquer dia dizes que precisamos de falar e depois dizes que te sentes presa e sufocada e que se calhar é melhor darmos um tempo. e dar um tempo é o que estou a fazer desde o início, dar um tempo a este amor, porque este amor não tem tempo. tem é coisas que me fazem demasiado bem. coisas que nunca tive noutro amor qualquer e que me fazem medo de te perder. mas não é por mal, meu amor. e sim, uma salada parece-me bem. fazes tu, querida?
[ L ]
e quando deixas a mão repousar na minha perna
não te posso falar de promessas eternas, mas posso falar nesta noite (e fazer com que se prolongue até à neblina doce da manhã). não tenhas medo de nós ou do que pode um dia acontecer. tu sabes tanto como eu e eu não sei nada de astrologia (às vezes folheio nas revistas mas sabes bem que não ligo). não te deixes afogar no silêncio em que por vezes te deixo, eu também fico assim, mas eu sou obrigada a ser assim. não posso fugir a esta natureza fugitiva que se esconde do mundo e hiberna de emoções para rebentar de sentimento da ternura de uma noite. o que vamos jantar? também queres uma salada?
[N]
Wednesday, September 22, 2004
é pecado maior do que o mundo
falas-me em loucura, falo-te em amor. nunca te fodi, sempre fiz amor contigo. é esta a diferença. a importância que damos às coisas. a urgência com que nos entregamos nos braços uma da outra, o prazer que procuramos nos instantes em que as tuas mãos passeiam por mim, em que a minha língua te desbrava inteira. e disto que te falo quando te falo de medo. porque sei que, um dia, vais entrar por aquela porta, tratar-me como uma amiga e dizer que este silêncio é tudo o que resta de nós.
[L]
Monday, September 20, 2004
beber um copo contigo
a nossa loucura é desregulada e impossível, de uma forma que somos prazer sem regras, leis ou limites... e do mesmo modo que entrelaçamos as pernas e deixamos a noite correr, a angústia vai embora quando o corpo se torna líquido à passagem da língua, o sexo é a razão da noite e tu és a razão de eu ser mulher. essa generosidade não te posso ofuscar, és enorme e o momento em que o sexo vibra contigo justifica que ame cada curva do teu rosto para sempre (mesmo que não pareça) e uma certa ausência não é nada pois quando regresso tudo volta a existir e isso é o alimento da felicidade do mundo.
[N]
Thursday, September 16, 2004
e este travo amargo na boca
o comité não nos regula, meu amor. apenas nos justifica as loucuras. por mais que te procure sempre entre os lençóis, há dias em que não te tenho. e esses doem mais que outra coisa qualquer. agora aguardo aqui que me digas do teu regresso, que me molhes com a tua língua o corpo, como num abraço desmedido. preciso de te saber comigo. preciso de sentir o peso da tua mão no meu ombro, o sabor da tua boca na minha. a angústia do teu sexo no meu.
[L]
o princípio de tudo
como uma águia a voar num céu imenso, a planar sobre o mundo, livre da gravidade, longe da terra, perdida no ar. é assim que me fazes sentir. incompleta é a noite, nós somos a perfeição. e o amor só pode ser perfeito, ainda que breve. não digas mais asneiras, tolinha, deixa-me voltar a ser tudo para o sofá da tua sala. porque, livres de banalidades, conseguimos uma união mais bela que o máximo admissível pelo comité do prazer ilimitado.
[N]
Wednesday, September 15, 2004
é o fim do início do mundo
não morras. morramos. juntas, afogadas na placência de estarmos assim, etéreas, frágeis, vulneráveis nos braços uma da outra. escondidas, subtis. mesmo quando me olhas e me tocas ao de leve na mão, se estamoa numa esplanada a beber café. subtis, mesmo se me dizes que me amas, entredentes, no meio de uma multidão. subtis, mesmo se me abraças com força em plena luz do dia. subtis, mesmo se foges e desapareces e não te vejo durante três dias e sei que estiveste com ele, sempre o mesmo, esse homem a mais no mundo. porque te ama duma forma que eu não posso. porque nunca te amará como eu te amo. nunca.
[L]
Monday, September 13, 2004
o beijo que te acorda
sopra esse fumo que nos ensombra a noite e salta comigo para as nuvens onde fugimos da banalidade dos dias para sermos apenas instantes (breves, loucos, únicos) de vida. em cada toque, beijo ou sopro vamos trabalhando o que mais ninguém consegue igualar, um arrepio que mata. não morras. eu quero morrer contigo.
[N]
Friday, September 10, 2004
ainda que o mundo seja só esta coisa que nos abarca
é isso que me mata. ver-te seguir outros rumos, ver que outros te dão prazer. sentir que falta alguma coisa a este amor. sentir que te perco cada vez que não estás comigo. e sei, sei sempre. tu dizes olha hoje não posso, vou estar com o nuno. e eu morro. morro. porque só te amo a ti, só te quero a ti. mais do que o sexo há o amor. e para mim é isso que conta. temos dois pesos e duas medidas. falamos línguas diferentes. mesmo quando a tua se enrola na minha são dimensões diferentes as que nos acolhem. sou feliz porque sei que vais, mas regressas para me dar o sol.
[L]
Thursday, September 09, 2004
ficamos o dia todo em casa e o mundo não existe
as minhas pernas presas nas tuas, o fogo arde em nós. o tempo voa, vamos à praia ou rebolamos no chão. embora adore ver-te suar comigo, nem sempre posso ser só tua. o desejo leva-me a outros caminhos, não te posso prometer o sol, dou-te um beijo demorado na pele para te fazer tremer e dou-te o sentido todo da vida num momento eterno de prazer.
[ N ]
Wednesday, September 08, 2004
se formos acabamos doentes
isso, enclausura-se o desejo e depois faz-se o quê com ele? não aguento ver-te linda, quase nua à minha frente, sem te tocar. tu sabes. há sempre algo mais que me chama, algo que me empurra para ti. é um amor maior que o senso, uma coisa a que soltei as rédeas para não voltar a poder prendê-las. e agora a única coisa que prendo são as tuas pernas no meio das minhas, quando me inflama a paixão.
[L]
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