
Tuesday, April 18, 2006
{ língua }
demora-te, prolonga um bocadinho mais esses movimentos, esse respirar ofegante, a minha língua, a minha boca à tua procura, demoro-me na tua doçura salgada toda, prolonga-te, demora-te na minha boca.
|N|
{ urgências }
as tuas urgências são complicadas de controlar. porque apetece-me ir. mas sabe-me bem ir devagar. aplicar uma espécie de pleasure delayer e saborear-te devagar. para durares mais tempo. porque, depois desta ausência toda, é normal que não demore(mos) muito a vir-me(mo-nos)...
| L |
{ pele }
a minha boca descobre o teu peito, afasta o soutien e perde-se em voltas. as minhas mãos sobre o tecido preto das tua cuequinhas sentem-te cada vez mais húmida, afagam repetidamente o tecido húmido, sinto-te cada vez mais quente, mais minha...
|N|
{ calor }
adoro as minhas mãos entre o teu peito e as tuas camisas. adoro ver-te de camisa, sabes? ficas um charme. não tens noção, acho. tu és um homem bonito. e que me arrasa de desejo. basta-me olhar-te e pronto: começa o filme a passar na minha cabeça. eu e tu num quarto na penúmbra. um sofá de veludo vermelho-escuro ali ao canto. a tua boca na minha pele. as tuas mãos à procura. as tuas mãos no calor que me entremeia as pernas. calor.
| L |
{ mãos }
as mãos desvendam as curvas do corpo, o tecido da roupa é um obstáculo. beijo-te o pescoço e beijo-te naquele lugar atrás da orelha que tanto gostas. saboreio-te lentamente, num momento imaginado desde aquele teu sms simples que dizia tudo: “hoje, às 22h”. as tuas mãos percorrem-me debaixo da camisa...
|N|
{ no silêncio }
é. o que se guarda por dizer diz, por vezes, tanto. mas agora apetece-me a tua boca. a tua língua a resgatar-me a saliva que espera por ti. as tuas mãos numa dança violenta pelos recantos do meu corpo. antecipo o prazer. contigo não há incertezas.
| L |
{ momento }
nas palavras todas que não dissemos escondeu-se a sede do corpo, a vontade que sempre soubemos que um dia se iria concretizar, só não sabíamos quando. e agora, aqui, somos silêncio, não me falaste de namorados, não te contei da minha vida, somos o momento, estamos aqui e nada sabemos para além dos lábios que se bebem mutuamente.
|N|
Monday, April 17, 2006
{ nas mãos }
de repente, estamos de novo sozinhos num espaço cheio de gente. conseguimos sempre esta proeza, isolarmo-nos no meio de multidões. quando estamos juntos estamos sempre sós, já viste? e os olhos procuram aquele pedaço de pele ainda coberto, as mãos tocam-se por acaso em movimentos trôpegos que denunciam a fraca casualidade destes toques. da boca saem palavras desconexas. como se fôssemos vozes lá ao fundo, sem importância. as nossas vozes só importam quando nos dizem do desejo e do prazer. tudo o resto pode ser calado.
| L |
{ nos lábios }
voltamos. voltamos a um bar qualquer, depois de um jantar qualquer e um copo de vinho na mão. os mesmos olhos brilhantes reencontram-se agora, cheios de dúvidas e apenas uma certeza: o fim da noite. antes já dissemos tudo, na boca ficam agora as palavras, sobram os lábios onde se acumula o desejo todo, concentrado, à espera dessa pele quente mil vezes imaginada.
|N|
{ no corpo }
regressemos. a tudo o que ficou dito, o que se sabe sentido e que ficou por fazer. a tudo o que não concretizámos, talvez porque tenhamos falado demais. os desejos, quando confessados, aprisionam-nos. e impedem que os concretizemos. com medo da previsibilidade. ou de todos os imprevistos que poderiam nascer por nos encontrarmos os dois, nus, sobre a mesma cama.
| L |
{ na pele }
apetece-me voltar. apetece-me voltar àquele instante, no bar ao pé do castelo, em que as nossas pernas estavam com vontade de se aproximar, em que os nossos joelhos encostados falavam sozinhos quando, numa pausa entre dois golos de cerveja, os nossos olhos se cruzavam, incendiados de desejo.
|N|
{ regressar }
apetece-me regressar a ti. à tua língua doce e molhada que me marca na carne o desejo que nos transporta. apetece-me reviver as tuas mãos pela minha pele e sentir cada arrepio e cada espasmo que o teu prazer me traz. apetece-me fazer-te entrar de novo, devagarinho, em mim. com calma. lá chegaremos.
| L |
Monday, October 03, 2005
| doce |
deixam-se levar pelas caipiroskas e pela conversa e pela música e pelo sofá. a noite cresce, como a lua lá fora, que espreita pela janela entreaberta. aproximam-se, as mãos tocam-se, aproximam os olhos, aproximam as bocas, beijam-se.
N
Wednesday, September 21, 2005
| nostalgia |
e com a noite chega aquele frio de fim de setembro. o frio das coisas que acabam e que deixam nostalgias a marcar o caminho. falam e contam trivialidades, ele ensina-lhe a fazer carbonara em condições, ela conta-lhe o truque das caipiroskas e da sangria.
L
Tuesday, September 20, 2005
| pôr-do-sol |
ela aceita e ele sorri. ele vai subir ao castelo e, sentado na esplanada, vai ficar à espera dela. ela vai sair do trabalho, desta vez não vai ter compromissos súbitos, vai subir as escadas e encontrá-lo a ler um jornal. pedem martinis, ficam a ver o sol cair sobre a cidade. a noite há-de chegar.
N
| terça-feira é |
ela responde, via msn, que sim, que pode ser, que gostava muito, que lhe andava a apetecer há imenso tempo, que é quase um crime não se verem quase há um ano, ainda por cima trabalha pertíssimo de casa dele e à hora a que ela sai ele já está em casa e é mesmo uma parvoíce tanto tempo sem se verem, a ficarem-se pelos diálogos obscuros no msn e pelas escritas a 4 mãos, que nunca chegam, nunca chegam e escrevem tanto do que nunca diriam pessoalmente, que sim, um martini ao fim da tarde, na esplanada do castelo parece-lhe bem.
L
| terça-feira |
foi numa tarde quente de terça-feira que ele lhe enviou um sms: "martini ao fim do dia, na esplanada ao pé do castelo?". ele não sabia que roupa ela tinha escolhido de manhã, mas imaginava que ela trouxesse uma saia que mostrasse bem as pernas ainda bronzeadas do sol. tinha passado a noite a sonhar com ela. depois do copo de vinho do almoço ganhou coragem e convidou-a. ela havia de responder.
N
Monday, September 19, 2005
| fim |
planamos juntos e já estamos longe. eu e tu de mãos dadas num deserto inóspito que é nosso porque juntos o percorremos. cada vez mais depressa, eu a gemer e tu a gritar. e de repente tu irrompes em mim, eu recebo-te com um grito. dois orgasmos que se abraçam. e juntos, descemos a colina que havemos ainda tantas vezes de subir.
L
| dentro |
entro em ti, partilhamos o corpo e estamos a voar, espraiados no sofá. tu marcas o ritmo constante, rápido, e sobre a tua pele ainda morena mistura-se o nosso suor. tu aceleras, eu travo, recomeço e desta vez ainda mais depressa. tens os olhos fechados e gemes, dizes que sim muitas vezes e chamas por deus e outras coisas e é assim que planamos sobre tudo.
N
| interior |
e no torpor inadiável puxo-te para dentro de mim. simulo uma entrada vagarosa e depois puxo-te de uma vez. e só te oiço um gemido forte, mais alto do que querias. o teu desejo e o meu espraiados no teu sofá. os nossos corpos como asas, a voar. eu e tu.
L
| lábios |
as mãos nas costas, as pernas entrelaçadas e as bocas coladas. a respiração sincronizada, os lábios humedecidos. e então os meus lábios escorregam para trás da tua orelha e tu tremes assim e fico ainda mais ansioso. continuamos abraçados, colados, e devoras o meu pescoço e desapertas-me os botões todos e desaperto os teus botões todos e é impossível adiar este desejo todo.
N
Thursday, September 15, 2005
| espaço |
há um segundo em que me perco. tu e eu somos um corpo celeste com luz e calor próprios. estrela. cometa. a rasar o céu sem o tocar. as bocas perdidas num beijo longo e quente e de sabor indefinido. tu à minha porta e eu sem te deixar entrar. as minhas pernas entrelaçadas à tua volta. as minhas mãos pelas tuas costas. dois corpos unidos de novo.
L
Monday, September 05, 2005
| segundo |
enquanto as nossas línguas se provam as minhas mãos sobem pelas tuas ancas com uma urgência desmedida. a tua saia é gira mas é debaixo dela que as minhas mãos navegam. tu estás perfumada com esse teu charme absoluto e eu não resisto mais. as minhas mãos sentem as cuequinhas quase húmidas, deixam-se ficar lentamente em carícias e tu mordiscas o meu pescoço.
N
| saliva |
o respirar torna-se pesado. quase me sufocas com a urgência dos beijos. e eu quase te arranco a camisa sem desabotoar botões. tens o cabelo despenteado como eu acho que te fica bem. tens esse charme despercebido de quem é inocente, sabendo-se culpado. tens umas mãos quentes e fortes, que me tocam em todo o lado. que me sobem pelo interior das pernas até descobrires que o mundo às vezes pode ser húmido.
L
| pele |
os lábios mordiscam o pescoço, sobem devagarinho até à orelha, perdem-se na doçura toda da pele. as mãos aventuram-se pelo meio da roupa, descobrem caminhos secretos enquanto tu fazes esse sorriso sexy que me desperta ainda mais a vontade. o sofá é onde nos afogamos em desejo.
N
| sopro |
falas em correntes de ar e perguntas se quero que feches a janela. digo-te que não e mostro-te que tenho calor. a minha pele quente aquece-te os lábios e tu dás-me no pescoço um beijo molhado. eu tremo um bocadinho e tu percebes que me apanhaste o ponto fraco. e insistes. os teus dentes por baixo da minha nuca disparam molas que não hás-de saber travar.
L
| sofá |
entro em casa debaixo da luz ténue e sento-me no sofá. trocamos palavras e copos de vinho, trocamos banalidades ou novidades e bebemos o tinto e enches o copo outra vez. o sofá encolhe e ficamos mais juntos, faço-te festinhas na perna e fico preso no teu sorriso. há demasiada luz, apagas uma vela.
N
| luz |
abro-te a porta e, sob uma luz trémula de velas de baunilha sponsored by ikea, olho-te de relance... e sei que, ao pé de ti, não hei-de dizer nem um terço do que te digo aqui. havemos de falar de música. mostrar-me-ás qualquer coisas descoberta recentemente e falar-me-ás de paredes de coura. e eu ficarei perdida, algures entre o desejo e a timidez. até que as velas se apaguem e possamos ser quem somos quando fechamos os olhos e imaginamos o nosso corpo no corpo um do outro.
L
| nua |
e é no sofá que te vejo, aí longe, imaginada sem roupa, só a pele torrada pelo sol, a pele morena que os meus lábios querem provar, demoradamente. quando eu chegar e tocar à campaínha abre a porta, mas não vás à varanda que os vizinhos reparam.
N
| língua |
e eu fico assim, suspensa nesta vontade de que me tomes por tua. ainda que só por meia hora. ainda que só uma vez. para calar a angústia dos desejos inconfessados. e já viste que te disse tanto, não estando a falar para ti? já viste que aqui, nestas palavras, estou como nua em cima de um sofá?
L
:: nos dias antigos ::
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